Médicos norte-americanos não sabem diagnosticar verminoses
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Foto: Agência Notisa
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Uma delas, a estrongiloidíase, que o escritor Monteiro Lobato mostrou em romance através do personagem Jeca Tatu, vem aumentando a incidência nos países desenvolvidos. Entretanto, as escolas de medicina dos Estados Unidos ainda não focam o ensino neste tipo de doença, comum nos países mais pobres, mas, até recentemente, patologia rara no hemisfério Norte.
A estrongiloidíase é uma importante causa de mortalidade entre as infecções helmínticas intestinais em países desenvolvidos e atinge milhões de pessoas em todo o mundo. A doença surge como uma infecção emergente sobretudo em função de sua persistência, do aumento de viagens internacionais e de seu potencial para hiperinfecção iatrogênica.
Interessados no assunto, pesquisadores dos EUA, Brasil, Singapura e Tailândia realizaram dois estudos sobre a doença, ambos publicados em artigo da edição de junho deste ano do American Journal of Medicine. Participou da pesquisa o médico brasileiro Jaime Luís Lopes Rocha, da Universidade Federal do Paraná.
No primeiro, foi conduzida uma revisão retrospectiva dos prontuários dos casos de Strongyloides stercoralis identificados nos registros laboratoriais de microbiologia entre 1993 e 2002.
Subseqüentemente, 363 médicos-residentes de 15 programas de treinamento em todo o mundo foram confrontados com um caso fictício de estrongiloidíase apresentando um imigrante com chiado e eosinofilia A avaliação focou no reconhecimento do residente e nas recomendações
diagnósticas, explicam os autores, no texto.
Os resultados mostraram que, em 151 casos de estrongiloidíase, a sensibilidade aos ovos nas fezes e ao parasita foi baixa (51%), e a eosinofilia (>5% ou > 400 célula/μL) geralmente presente (84%). Em média, O diagnóstico ocorreu 56 meses após a imigração.
Em 151 casos de estrongiloidíase, a sensibilidade aos ovos nas fezes e ao parasita é baixa (51%), e a eosinofilia (>5% ou > 400 célula/μL) geralmente presente (84%). O diagnóstico ocorreu, em média, 56 meses (variação do intra-quartil: 4-72 meses) após a imigração, diz o texto.
De acordo com o artigo, embora 10% tenham apresentado chiado, as queixas apresentadas foram inespecíficas, sendo que 5 pacientes que recebiam corticosteróides apresentaram hiperinfecção, com 2 óbitos. Erros de tratamento ocorreram mais freqüentemente entre os provedores que não eram familiarizados com a saúde de imigrantes, destaca.
Entre os residentes confrontados com um caso ficcional, o desempenho dos norte-americanos foi considerado fraco: apenas 9% reconheceram a necessidade de screening para parasitas, e eles freqüentemente defenderam corticosteróides baseados na própria experiência (23%).
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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