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Pesquisa avalia concentração de amônia, poeira e fungos em locais de criação de suínos



A agropecuária exige uma preocupação constante em relação à higienização dos ambientes. Isso porque, a ação de agentes físicos, químicos e biológicos é grande nos locais de produção. A amônia (NH3), por exemplo, quando em grandes quantidades, pode provocar redução do apetite e irritação nas mucosas dos suínos, além de causar problemas respiratórios e letalidade aos trabalhadores. Assim como a amônia, a poeira e os fungos são fontes constantes de enfermidades. Nesse sentido, Carlos Augusto Sampaio e equipe da Universidade do Estado de Santa Catarina resolveram avaliar a concentração de amônia, de poeira total, de poeira respirável e de fungos, bem como estimar os riscos da exposição ocupacional a estes agentes, em duas granjas com instalações de creche e terminação de suínos. 

O trabalho foi realizado nas granjas de produção localizadas no município de Salto, em São Paulo, nos períodos de verão e inverno de 2003. De acordo com artigo publicado na edição de março/abril de 2007 da revista Ciência Rural, “no Brasil, a NR15 (1978) regula exposições de trabalhadores a agentes agressivos especificando que a concentração média de NH3 durante a jornada de trabalho diária de 8 horas deve ser no máximo de 20ppm, não devendo exceder 30ppm. A exposição à concentração acima de 6ppm leva a irritação nas mucosas, a 400ppm leva à irritação nas vias aéreas superiores, podendo ser letal quando atinge 10.000ppm”. 

Os resultados do estudo mostram que os teores médios de NH3 não superaram 20ppm, que afeta o desempenho dos suínos, embora este limite tenha sido excedido em alguns momentos. Os pesquisadores verificaram que a estação do ano, as instalações e os horários tiveram influência significativa sobre os valores de concentração de amônia. Os teores de poeira tiveram larga variação durante o dia e no período do ano, com valores mais altos nas instalações para creche em comparação àqueles verificados na terminação, mas não chegaram a ultrapassar os valores permitidos. No que diz respeito aos fungos, a porcentagem do gênero Aspergillus identificado nos filtros de poeira respirável e de poeira total foi de 34% e 45%, respectivamente, sugerindo a necessidade de maior conhecimento do ambiente microbiológico dessas instalações.

Dessa forma, a equipe alerta para a importância de uma boa ventilação nesses ambientes: “os resultados mostram que a falta de atenção para a ventilação nas instalações de creche leva à quase ausência de ventilação mínima sanitária, propiciando teores mais altos de amônia, que estão mais relacionados ao volume e à circulação de ar no interior das instalações, ao manejo dos dejetos e da cortina, à tipologia da construção e às condições de clima local do que à lotação de suínos”.



Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)



 


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