Quanto mais tempo exposto ao sol, maior a probabilidade de alguém
desenvolver câncer de pele
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Pesquisa realizada nas cinco regiões do país mostra que tanto no Norte
quanto no Sul, as mulheres usaram como proteção com maior freqüência o
filtro solar e os homens o chapéu. Dados também revelam que jovens se
protegem menos.
A exposição abusiva à radiação solar é uma das principais causas de
câncer de pele e está diretamente relacionada a características
individuais e a fatores ambientais. Os bloqueadores solares têm sido
amplamente utilizados como uma forma efetiva de proteção na redução da
formação de lesões pré-cancerígenas e cancerígenas, assim como os
chapéus e o hábito de buscar a sombra. Isso é o que mostram André Szklo
e equipe do Instituto Nacional de Câncer em um estudo que buscou
caracterizar as diferenças encontradas no uso de formas de proteção à
exposição solar mais utilizadas, a partir de dados do inquérito
domiciliar realizado em capitais das cinco regiões brasileiras.
O trabalho foi realizado entre 2002 e 2003 em 16 cidades brasileiras. De
acordo com artigo publicado em abril de 2007 nos /Cadernos de Saúde
Pública/, as medidas de exposição à radiação ultravioleta estão
relacionadas tanto com características individuais quanto com fatores
ambientais. Assim sendo, o tipo de câncer a ser desenvolvido parece ser
função não somente do tipo de pele e fenótipo e da história familiar,
mas também do nível de exposição cumulativa, sendo esse último
intimamente relacionado com a latitude na qual se encontra o indivíduo.
Os pesquisadores observaram, em todas as regiões estudadas, proporções
mais elevadas de proteção com o filtro solar e procura pela sombra nas
mulheres do que nos homens, enquanto o contrário foi verificado com
relação à proteção com o chapéu. Indivíduos de 25 anos ou mais de idade
apresentaram percentuais de proteção maiores do que os de menos de 25
anos. Segundo eles, os homens apresentam menor preocupação e
conhecimento sobre os efeitos nocivos relacionados à radiação
ultravioleta e estão mais freqüentemente empregados em atividades
ocupacionais relacionadas à exposição a esse tipo de radiação. Já os
jovens constituem um grupo vulnerável aos efeitos nocivos do sol, tanto
pelo aspecto estético do bronzeado quanto pela maior freqüência de
atividade física, sobretudo relacionada à prática de esportes.
Os resultados mostram também uma maior proporção de proteção com filtro
solar entre indivíduos de maior escolaridade, enquanto que a proteção
com o chapéu apresentou uma proporção maior entre os indivíduos de menor
escolaridade. No que diz respeito à procura pela sombra, foi encontrada
uma maior proporção de procura pela sombra entre os indivíduos de menor
grau de escolaridade. As proporções de uso do filtro solar e da procura
pela sombra foram maiores em indivíduos fisicamente inativos do que nos
fisicamente ativos, ao passo que o oposto foi observado com relação ao
uso do chapéu. Os especialistas explicam que as diferenças na
utilização das formas de proteção solar segundo o nível de atividade
física refletiram a maior contribuição dos jovens para a parcela de
indivíduos fisicamente. Esse grupo, por sua vez, mostrou uma menor
freqüência do uso de formas de proteção. Assim sendo, a prática de
atividades esportivas em áreas abertas, por exemplo, representa um
elemento importante a ser considerado no momento de se estabelecer uma
estratégia de prevenção primária eficaz.
E fazem um alerta: apesar de existirem estudos científicos apontando
para outras formas de proteção baseadas em aspectos endógenos, ou seja,
os aspectos protetores conferidos pelos hábitos alimentares, em que
micronutrientes podem funcionar como absorvedores de exposição ou
antioxidantes, a proteção pelo uso de roupas adequadas, uso de protetor
solar, utilização de chapéus e evitar o sol ainda são as principais
recomendações com relação à prevenção primária do câncer de pele em geral.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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