Sobrepeso e dislipidemias têm se tornado cada vez mais comuns entre crianças
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Foto: Agência Notisa
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Pesquisa realizada com estudantes de uma região pobre do Rio de Janeiro mostra que 10,7% apresentavam sobrepeso, 43% ficavam em atividades sedentárias mais de 3 horas por dia e que 68,4% possuíam alguma dislipidemia.
A obesidade e as dislipidemias são os principais fatores de risco das doenças cardiovasculares, que muitas vezes são observados desde a infância. A obesidade, por exemplo, apresenta crescente prevalência entre as crianças e os adolescentes, aparecendo geralmente associada ao sedentarismo e a um maior consumo de gorduras e açúcares.
Já as alterações do perfil lipídico ocorrem silenciosamente, sendo a lesão aterosclerótica somente diagnosticada na idade adulta. Levando em consideração que pouco se conhece sobre a prevalência de dislipidemias em crianças em idade escolar, Sueli Gama e equipe da Fundação Oswaldo Cruz resolveram estimar os indicadores do perfil lipídico, estado nutricional, pressão arterial e atividade física em crianças atendidas em uma unidade básica de saúde da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A equipe também analisou os padrões de consumo alimentar. De acordo com artigo publicado na edição de setembro de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, foram avaliadas 356 crianças que compareceram ao Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, residentes no Complexo de Manguinhos. Todas tiveram que responder a um questionário e foram submetidas a uma avaliação nutricional.
Os pesquisadores observaram que 10,7% dos estudantes apresentavam sobrepeso e que 43% das crianças ficavam em atividades sedentárias mais de 3 horas por dia. Segundo eles, a manutenção do peso saudável é importante durante a infância, pois a obesidade adquirida tende a persistir na vida adulta, acompanhada de hipertensão e diabetes, notórios fatores de risco para doenças cardiovasculares.
Além disso, os especialistas verificaram que 68,4% dos escolares possuíam alguma dislipidemia, sendo que 18,6% tinham aumento da lipoproteína LDL-c, 35% alteração do HDL-c e 3,5% do triglicerídeo. Valor elevado de lipoproteína LDL-c favorece o aparecimento da doença arterial coronariana, e conjuntamente com o aumento de triglicerídeo, a síndrome plurimetabólica, explicam no artigo.
Dessa forma, a equipe destaca a necessidade de se trabalhar na prevenção das doenças cardiovasculares desde a infância, de forma integrada com os programas de saúde da família: os perfis de consumo alimentar identificados podem contribuir para desenhar estratégias de abordagem desta questão, resgatando aspectos saudáveis da nutrição na população de baixa renda, contrapondo à penetração da indústria alimentícia.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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