Pesquisa avalia organização das práticas de saúde bucal em dois municípios baianos
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Foto: Agência Notisa
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Resultados mostram que município com grau avançado na descentralização da saúde apresentou um padrão de organização do processo de trabalho mais próximo dos princípios do sistema de saúde brasileiro do que o outro município.
A ampliação da atenção primária em saúde bucal no Brasil e sua valorização através da incorporação de cirurgiões dentistas às equipes do Programa Saúde da Família (PSF) apontam para a necessidade de se investigar como se formulam e se implementam as práticas de saúde bucal em diferentes contextos organizacionais e políticos e em que medida os profissionais estabelecem suas ações e as compreendem. Nesse sentido, Sônia Cristina Chaves e Lígia Maria da Silva, ambas da Universidade Federal da Bahia resolveram descrever as características da organização das práticas de saúde bucal em dois municípios baianos com diferentes
graus de implantação de descentralização da gestão da saúde.
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas junto a cirurgiões-dentistas de ambos os municípios. De acordo com artigo publicado na edição de novembro/dezembro da revista Ciência & Saúde Coletiva, buscou-se também analisar os meios e o processo de trabalho
dos cirurgiões dentistas inseridos no Programa de Saúde da Família,
considerando-se as tecnologias do processo de trabalho, o saber e seus desdobramentos em tecnologias materiais e não materiais, e discutir a inserção dos cirurgiões dentistas nos campos público e privado da saúde e a repercussão dessas relações com as práticas descritas.
Houve um padrão de organização do processo de trabalho mais próximo dos princípios do sistema de saúde brasileiro no município que apresentou um grau avançado na descentralização da saúde em relação ao outro município. Segundo as pesquisadoras, essas diferenças parecem estar relacionadas a características da gestão, onde no município com grau avançado na descentralização da saúde observou-se uma articulação entre as atividades clínicas individuais, coletivas, preventivas e de planejamento. Apesar dessas diferenças, os profissionais mostraram similitudes quanto à dupla militância e às percepções sobre os campos públicos e privados da saúde.
De acordo com Sônia Cristina e Lígia Maria, a hegemonia do setor privado parece estar influenciando a prática profissional dos cirurgiões-dentistas no serviço público. A lógica dominante do campo privado odontológico está presente em diversos momentos e se revela
tanto nas práticas como nas aspirações dos profissionais. Ainda que o subcampo público da saúde tenha influenciado as práticas do subcampo privado da saúde, produzindo mudanças importantes nas atividades dos agentes, quando sustentados por uma gestão local da saúde comprometida com os princípios da Reforma Sanitária Brasileira; a força do subcampo
privado de origem é ainda superior, o que exige um esforço extra para a manutenção das mudanças requeridas na prática profissional para sua maior efetividade, afirmam no artigo.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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