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Presas apresentam alta freqüência de queixas relacionadas ao trabalho


Foto: Agência Notisa

Pesquisa realizada em um centro de ressocialização mostra que 94,19% das detentas relataram dores e que aquelas que precisaram se afastar eram mais velhas, apresentavam peso mais elevado e trabalhavam há mais tempo.

As lesões por esforços repetitivos (LER), também conhecidas como distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), são caracterizadas por dor nos locais anatômicos mais utilizados em funções ocupacionais. Podem gerar desordens motoras, psicológicas e sociais,
resultando em redução da produção e, até mesmo, no afastamento das ocupações, sendo notadas nos mais variados tipos de atividades ocupacionais, principalmente entre mulheres jovens.

Nesse sentido, Eliane Cristina Pastre e equipe da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto resolveram descrever a freqüência das queixas osteomusculares e associar sua ocorrência às variáveis antropométricas e às características do trabalho de reeducandas de um centro de ressocialização.

Participaram do trabalho 146 mulheres, que responderam a um questionário contendo informações sobre dados antropométricos e queixas osteomusculares relacionadas ao trabalho.

De acordo com artigo publicado na edição de novembro de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, "além da escassez de estudos sobre problemas de saúde das mulheres em prisões brasileiras, o encarceramento parece apresentar uma oportunidade singular, não só pelo controle de variáveis pela sistematização das atividades diárias, mas também pela possibilidade de implementação de programas terapêuticos, medidas preventivas e ações educativas para a saúde das mulheres institucionalizadas".

A equipe observou elevada freqüência de ocorrência de queixas após o início de atividade laboral (94,19%), principalmente na coluna. As participantes com necessidade de afastamento eram mais velhas, apresentavam peso mais elevado e trabalhavam há mais tempo. "É observado na prática que, devido ao fato de que a cada três dias trabalhados desconta-se um dia da pena a ser cumprida, as reeducandas fazem opção de trabalhar, mesmo na presença de queixas. Contudo, a partir da continuação das atividades, movimentos repetitivos e possível postura incorreta, as queixas podem se acentuar, diminuindo a produtividade e, por fim, resultar em impossibilidade de exercer suas funções, levando ao afastamento", explicam os especialistas no artigo.

Segundo os pesquisadores, é alta a freqüência de queixas relacionadas ao trabalho, bem como associação de sua ocorrência e severidade às variáveis antropométricas e características laborais. "Esses achados devem incentivar a elaboração de planos de ação preventivos e terapêuticos específicos às causas, para amenizar as queixas e contribuir com a qualidade de trabalho e de vida da população estudada.

Programas sistematizados de atividades físicas orientadas e ou de ginástica laboral supervisionada poderiam contribuir para minimizar os problemas descritos, já que tais práticas auxiliam no equilíbrio das funções motoras, como manutenção de bons níveis de tônus muscular, amplitude e estabilidade articular, além de potencializar um melhor funcionamento neuro-humoral, conforme descrito amplamente no meio científico", destacam no artigo.



Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)



 


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