Pesquisa avalia prevalência e fatores de risco para a infecção pelo HIV em penitenciária brasileira
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Foto: Agência Notisa
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Resultados mostram que 5,7% dos detentos apresentavam a doença. Tempo total da pena a ser cumprida inferior a cinco anos e compartilhamento de agulhas e seringas foram os principais fatores de risco associados à ocorrência da AIDS entre os presos.
A infecção pelo vírus HIV em presidiários alcança uma das maiores prevalências entre subgrupos populacionais específicos, com taxas de até 17%, já tendo sido descrita por especialistas do Brasil e de todo o mundo. Neste sentido, Harnoldo Coelho e equipe da Universidade de São Paulo resolveram estimar a prevalência do marcador do HIV e os fatores
de risco para essa infecção na população masculina carcerária da Penitenciária de Ribeirão Preto, São Paulo, no período de maio a agosto de 2003.
Do total de 1.030 presidiários, participaram do trabalho 333, que foram submetidos à aplicação de um questionário padronizado e à coleta de sangue. De acordo com artigo publicado na edição de setembro de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, "a idade dos presidiários variou de 19 a 69 anos, mais da metade nasceu na cidade de Ribeirão Preto e adjacências, sendo que 24,6% haviam nascido em outras regiões do estado de São Paulo,
e 22,5% em outros estados. Além disso, 58% dos participantes relataram ter parceiros sexuais fixos".
Os resultados mostram que a prevalência global do HIV nos presidiários foi de 5,7%. As variáveis que se mostraram preditoras de forma independente da infecção pelo HIV foram: tempo total da pena a ser cumprida inferior a cinco anos e compartilhamento de agulhas e seringas. Segundo a equipe, "o risco de contrair AIDS entre aqueles que admitiram o uso de drogas injetáveis foi 10,5 vezes maior e entre aqueles que
compartilharam agulhas e seringas foi 17,2 vezes do que entre os que não relataram tais práticas. Isso mostra o papel dessas exposições como preditoras da infecção pelo HIV".
Dessa forma, os pesquisadores alertam para a importância de se implementarem medidas preventivas, e indicam a necessidade de se desenvolverem e manterem atividades agressivas baseadas numa educação continuada e no aconselhamento. "O aconselhamento, indubitavelmente, tem um enorme potencial de produzir um impacto positivo na luta contra a AIDS, uma vez que se estabelece uma relação de confiança entre o médico e o paciente, facilitando a absorção e a incorporação das informações e das medidas de prevenção por parte dos presidiários", destacam no artigo.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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