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Adolescentes do sexo feminino andam fumando mais do que os 
meninos



Foto: Agência Notisa

Enquanto 19,5% das meninas entrevistadas em Pelotas afirmaram consumir cigarros uma vez por semana ou mais no mês, 13% dos meninos disseram fazê-lo. Já o consumo de álcool foi maior entre os jovens do sexo masculino.

O consumo de tabaco, álcool e de drogas ilícitas é um dos principais 
problemas enfrentados tanto por países desenvolvidos quanto por aqueles em desenvolvimento. A informação de que homens fumam mais, bebem mais e consomem mais drogas do que as mulheres pode estar entre os elementos em transformação nos cenários atuais no campo da saúde. Isso é o que mostram Rogério Horta da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e equipe em um estudo que compara informações prestadas por meninas e por meninos, com o objetivo de examinar a relação entre gênero e o consumo de substâncias psicoativas entre adolescentes.

O trabalho foi realizado em Pelotas, no ano de 2002, com 960 adolescentes, entre 15 e 18 anos de idade, residentes na zona urbana do município. De acordo com artigo publicado na edição de abril de 2007 dos 
/Cadernos de Saúde Pública/, é fundamental que se identifiquem, sempre de modo ágil, populações com tendência ao incremento no consumo de álcool, tabaco e outras drogas, procurando identificar, também, fatores determinantes ou associados à mudança de comportamentos. Isso pode melhor orientar ações nos campos da prevenção e do tratamento dos problemas decorrentes do uso de substâncias psicoativas, hoje 
largamente deficientes.

Os pesquisadores constataram que o uso de drogas ilícitas, álcool e tabaco variam segundo o sexo e a idade da população adolescente na cidade de Pelotas. As meninas estão fumando mais do que os meninos e 
estes consomem mais álcool e parecem estar fazendo uso continuado de drogas ilícitas em maior percentual do que as meninas. Pode ser que as meninas apenas tenham os primeiros contatos com o tabaco mais cedo do que os meninos ou pode haver um movimento que leve ao estabelecimento de padrões de consumo de tabaco maiores para mulheres que para homens em gerações futuras, afirmam no artigo. Eles observaram também que jovens de 17 e 18 anos, independentemente do sexo, consomem mais álcool, tabaco e drogas ilícitas do que os de 15 e 16 anos.

Além disso, classe social, escolaridade, vínculo com a escola e a ocorrência de reprovações estiveram mais associadas ao consumo de tabaco e drogas ilícitas. Segundo a equipe, parece preocupante que populações 
com menor acesso à educação formal estejam mais expostas aos riscos decorrentes do consumo dessas substâncias. Esses dados devem ser considerados no planejamento de políticas voltadas à população mais 
jovem, já que a exclusão da educação formal elimina a escola como uma rota de acesso às políticas de prevenção e atenção a usuários de substâncias psicoativas.

Dessa forma, os especialistas alertam para a importância de ações de prevenção. Qualquer dos dois cenários implica preocupação imediata do ponto de vista de saúde pública, mais especificamente, do ponto de vista 
da saúde das mulheres e dos adolescentes. Políticas públicas, setoriais ou institucionais, poderiam desestimular, conter ou contribuir para a reversão desses comportamentos, destacam no artigo.



Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)



 


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