Emissão de material particulado inalável está diretamente relacionada a internações por problemas respiratórios e cardiovasculares
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Foto: Agência Notisa
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Pesquisa realizada em Itabira (MG) mostra que dos 6.570 atendimentos por doenças respiratórias de crianças com menos de 13 anos que ocorrem ao longo de um ano, 300 estão relacionados com a poluição do ar por material particulado.
A cidade de Itabira (MG) está localizada na Serra do Espinhaço, onde existem grandes jazidas de minério de ferro que são extraídas em lavra mecanizada a céu aberto. As minas estão localizadas dentro do perímetro urbano e funcionam como uma fontes de poluição do ar por material particulado, portanto, levando à exposição direta dos habitantes. Esta
situação tem sido motivo de preocupação para a comunidade e uma rede de monitoramento da qualidade do ar foi implantada através de acordos ambientais entre o município e a empresa de lavra. Nesse sentido, Alfésio Luís Braga e equipe da Universidade de São Paulo resolveram avaliar os efeitos da exposição ao material particulado gerado através da atividade de mineração sobre os atendimentos de pronto-socorro por doenças respiratórias em crianças e idosos.
Para tanto, dados diários de atendimento de pronto-socorro por doenças respiratórias em crianças, adolescentes e idosos e por doenças cardiovasculares em pacientes com mais de 44 anos foram obtidos do hospital do município, no período compreendido entre 1º de janeiro de
2003 e 30 de junho de 2004. De acordo com artigo publicado no suplemento 4 dos Cadernos de Saúde Pública, "a poluição atmosférica nos centros urbanos tem sido identificada como um grave problema de saúde pública, de modo mais concreto, desde o começo do século XX".
Os resultados mostram que aumentos de 10µg/m3 no material particulado inalável foram associados com aumentos nos atendimentos de pronto-socorro por doenças respiratórias de 4%, no dia e no dia seguinte, para crianças menores de 13 anos, e de 12% nos três dias
subseqüentes para os adolescentes entre 13 e 19 anos. "Dos 6.570 atendimentos por doenças respiratórias de crianças com menos de 13 anos que ocorrem na cidade de Itabira ao longo de um ano, trezentos deles estão relacionados com a poluição do ar por material particulado. Essa é a estimativa de efeito agudo e não contempla os efeitos acumulados da exposição ao poluente. Em relação às doenças respiratórias em adolescentes, dos 825 atendimentos anuais, aproximadamente oitenta deles se devem aos efeitos agudos da poluição", afirma a equipe no artigo.
Dentre os atendimentos por doenças cardiovasculares, o efeito foi agudo, principalmente para os indivíduos com idade entre 45 e 64 anos.
Segundo os pesquisadores, o trabalho mostra que o material particulado inalável, gerado principalmente através de mineração a céu aberto, pode acarretar prejuízos à saúde da população exposta. "Esse resultado justifica a implementação de medidas voltadas a minimizar as emissões resultantes da mineração e monitorar a qualidade do ar que vêm sendo
adotadas tanto por parte da empresa responsável quanto por parte das autoridades públicas. Além disso, análises de componentes elementares e de toxicidade das partículas podem ajudar a esclarecer, adequadamente, o papel de cada fonte emissora de material particulado inalável que contribui para a piora da qualidade do ar em Itabira", destacam no artigo.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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