Pesquisa identifica quatro espécies de moscas-das-frutas em município
do Amapá
|

|
Os hospedeiros foram taperebá, goiaba e ingá-cipó, com índices de
infestação de 1,3; 0,6 e 10,0 pupários/fruto e de 141,1; 20,7 e 26,5
pupários kg^-1 de fruto, respectivamente.
As moscas-das-frutas estão entre os insetos que mais causam prejuízos à
agricultura mundial, existindo espécies em todos os continentes e em
praticamente todos os ambientes. Nesse sentido, os levantamentos
intensivos diretamente dos frutos hospedeiros são necessários para se
conhecer as espécies de moscas-das-frutas de importância econômica em
determinada região. E foi isso o que fez a equipe da Universidade
Federal do Amapá comandada pelo pesquisador Ricardo Adaime em um estudo
realizado no município de Itaubal do Piririm que buscou obter
informações sobre as espécies de moscas, suas plantas hospedeiras e seus
parasitóides.
Foram realizadas coletas de frutos entre os meses de março e junho de
2005, período em que se intensificam as chuvas na região, havendo maior
quantidade e diversidade de frutos. De acordo com artigo publicado na
edição de março/abril de 2007 da revista /Ciência Rural/, no Amapá, os
estudos com moscas-das-frutas e seus inimigos naturais são ainda
incipientes, em que pese o fato de serem fundamentais, pois é a única
unidade da federação em que a mosca-da-carambola está presente. A
espécie é caracterizada pelo Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul como
praga para o Brasil, podendo causar grande impacto sócio-econômico e
ambiental, caso se disperse para outras regiões do país.
No trabalho, a equipe observou que das 51 amostras coletadas, 21 estavam
infestadas por moscas-das-frutas, originando 1.169 pupários, com
emergência de 568 moscas e 105 parasitóides (57,6%). Taperebá, goiaba e
ingá-cipó foram os hospedeiros, com índices de infestação natural de
1,3; 0,6 e 10,0 pupários/fruto. Todas as moscas obtidas pertenciam ao
mesmo gênero /Anastrepha/, tendo sido registradas quatro espécies.
Segundo os especialistas, os índices de infestação do taperebá e a
diversidade de espécies presentes indicam que a planta é importante
hospedeira e pode atuar como reservatório natural da população desses
insetos. Frutos dessa espécie vegetal são muito apreciados pelos
consumidores locais, tanto in natura quanto na forma de polpa congelada,
destinadas a sucos e sorvetes. Sua exploração é baseada no extrativismo,
não havendo cultivo comercial. O taperebazeiro contribui para a
dispersão das espécies de moscas-das-frutas no estuário do rio Amazonas,
pois geralmente ocorrem em áreas de várzea, que sofrem inundações pelo
movimento das marés. Assim, os frutos caem e são transportados na
superfície da água a consideráveis distâncias, sendo depositados nas
encostas, explicam no artigo. Eles ressaltam, assim, a necessidade de
medidas de combate à proliferação das moscas e de controle da qualidade
dos frutos.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
|