Atividades de manejo florestal aumentam risco de ocorrência de leishmaniose
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Foto: Agência Notisa
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Pesquisa realizada com pacientes do Amazonas mostra que a maior parte deles residia no local da provável infecção; penetrava na mata; possuía animais domésticos na moradia e tinha pelo menos um parente com história da doença.
A leishmaniose é considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das cinco principais doenças infecto-parasitárias endêmicas em todo o mundo.
No Brasil, foram registrados, entre 1985 e 1999, 388.155 casos autóctones de leishmaniose tegumentar americana e, de 1999 a 2003, 33.872 casos da doença por ano. O estado do Amazonas se destaca como um dos que apresentam a maior prevalência, com destaque para Manaus. Com o objetivo de avaliar os fatores relacionados à ocorrência de leishmaniose
em crianças, Jorge Augusto Guerra, da Universidade do Estado do Amazonas, e equipe resolveram analisar 642 pacientes menores de 14 anos atendidos na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM), no período de janeiro a dezembro de 2005.
De acordo com artigo publicado na edição de setembro de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM), que atende 47,5% dos casos de leishmaniose do Estado, vem registrando em média mil casos novos a cada ano, grande parte oriunda do Município de Manaus, particularmente de duas estradas: AM-010, que liga
Manaus aos municípios de Rio Preto da Eva e Itacoatiara e BR-174, que liga Manaus ao Município de Presidente Figueiredo e ao Estado de Roraima.
No trabalho, a equipe constatou que 48,3% dos pacientes procediam do Município de Rio Preto da Eva e 76% de duas estradas. Entre 67,67%, foram entrevistados os responsáveis sobre a moradia na área de transmissão e os hábitos da criança. Desses, 58,89% residiam no local da
provável infecção; 60% das crianças penetravam na mata acompanhando os pais; em 91,11% dos casos havia animais domésticos na moradia; 77,78% das residências localizavam-se até 100m de distância da mata; e 76,67% pacientes tinham pelo menos um parente com história de leishmaniose tegumentar americana.
Segundo os pesquisadores, pode-se concluir que o padrão de transmissão foi relacionado especialmente a atividades de manejo florestal ocorrendo próximas ao domicílio, habitações próximas à floresta primária, com a ocorrência de leishmaniose tegumentar americana em crianças pequenas, sugerindo transmissão no intra e no peridomicílio, em alguns casos,
crianças penetrando na floresta.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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