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Leshmaniose, doença que era rural, passou também a ser urbana


Resultados mostram que o maior percentual de insetos infectados foi encontrado quatro meses após o período de maior precipitação 
pluviométrica, sugerindo que as variáveis climáticas podem contribuir para a predição do grau de infecção.


No Brasil, o controle do vetor /Lutzomyia longipalpis/ é uma das principais estratégias utilizadas para limitar a expansão da leishmaniose visceral americana (também chamada de Calazar). Entretanto, poucos são os estudos sobre a infecção natural destes flebotomíneos (insetos de dois pés) por espécies de /Leishmania/. Nesse sentido, Ivete Mendonça e equipe da Universidade Federal do Piauí resolveram fazer um estudo que teve como objetivo avaliar a infecção natural do vetor por /Leishmania/ sp. em ambiente peridomiciliar no bairro Bela Vista, em Teresina, que é um dos principais focos urbanos da leishmaniose visceral americana no Brasil, e verificar sua relação com indicadores climáticos.

Entre fevereiro de 2004 e janeiro de 2005 foram realizadas 180 capturas por meio da utilização de armadilhas luminosas. Foram dissecadas e examinadas, em média, dez fêmeas por captura para detecção de formas 
evolutivas de /Leishmania/ sp. De acordo com artigo publicado na edição de julho de 2007 dos /Cadernos de/ /Saúde Pública/, até a década de 70, a transmissão da leishmaniose visceral americana ocorria principalmente em áreas rurais do país. Contudo, desde o início dos anos 80, epidemias foram registradas em áreas urbanas da Região Nordeste, como Teresina (PI), Natal (RN) e São Luis (MA), e mais recentemente, a doença expandiu-se para outras regiões atingindo cidades como Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE) e Araçatuba (SP).

Os especialistas identificaram 1.832 exemplares de /Lu. longipalpis/ e seis de /Lu. whitmani/. Segundo eles, vinte (1,1%) espécimes, todas de /Lu. longipalpis/, estavam infectadas com as formas procíclica e nectomonada de /Leishmania/ sp., localizadas, principalmente, na porção posterior do trato digestivo. O maior percentual de insetos infectados foi encontrado quatro meses após o período de maior precipitação pluviométrica, sugerindo que variáveis climáticas podem contribuir para a predição não apenas da abundância destes dípteros, mas também do seu grau de infecção natural.

Dessa forma, a equipe de pesquisadores alerta para a necessidade de novos estudos que tentem esclarecer a relação entre variáveis climáticas e o grau de infecção de flebotomíneos. Apesar dessas variáveis já terem 
sido relacionadas com a abundância de vetores, elemento importante para a transmissão, seria essencial enfocar parâmetros epidemiológicos mais relevantes para a dinâmica da transmissão, como a taxa de picadas, o tempo de incubação extrínseco, a longevidade do vetor e o porcentual de insetos infectados. Se corroborada a relação entre fatores climáticos e alguns desses parâmetros, modelos mais robustos para predição da força 
da transmissão poderiam ser construídos e utilizados para identificação de situações críticas onde as estratégias de controle deveriam ser intensificadas, destacam no artigo.



Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)



 


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