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Homens jovens, pobres e negros saem do hospital sem autorização médica com mais freqüência


Foto: Agência Notisa

É o que mostra pesquisa realizada na Califórnia (EUA) com pacientes internados por infarto agudo do miocárdio e publicada na edição de dezembro do American Journal of Medicine.

Estima-se que cerca de 1% dos pacientes saem do hospital contrariando os médicos, no entanto, pouco se sabe sobre a importância clínica da alta prematura. Assim, Kevin Fiscella e colegas americanos analisaram dados dos anos de 1998 e 2000 do Califórnia hospital para tentar esclarecer essa questão. Os resultados foram publicados no artigo "Alta hospitalar à revelia após infarto do miocárdio: mortes e readmissões" na edição de dezembro do The American Journal of Medicine.

Segundo o texto, os autores selecionaram dados de pacientes admitidos na unidade hospitalar para infarto agudo do miocárdio. Desta maneira, eles compararam as taxas de readmissões e mortalidade em pacientes que tiveram alta contra conselho médico e aqueles que não o fizeram. Vale destacar que os pesquisadores ajustaram os efeitos para idade, raça, condição econômica, co-morbidade, seguro e características hospitalares. Ainda foi investigado se os efeitos da saída prematura eram parcialmente explicados pelas taxas de revascularização coronariana. 

Os pesquisadores identificaram que 1.079 pacientes infartados, representando 1,1% do total avaliado, saíram prematuramente do hospital. Ao comparar os dados, eles perceberam que esses pacientes "eram mais jovens, mais freqüentemente do sexo masculinos, mais pobres, negros, segurados pelo Medicaid ou sem seguro e tinham menos co-morbidades físicas e mais co-morbidades mentais". Enquanto esse grupo permaneceu cerca de quatro dias, os demais pacientes permaneceram oito dias internados. Na publicação, os autores afirmam ainda que os pacientes que saíram à revelia foram transferidos com menos freqüência e receberam menos procedimentos cardíacos, incluindo revascularização coronariana. "Na análise multivariada, ele apresentaram 60% mais risco para morte ou readmissão por IAM ou angina instável nos 2 anos após a alta do que pacientes com alta padrão", dizem os pesquisadores no artigo. É importante ressaltar que mesmo após o ajuste para revascularização o risco permaneceu, porém mais atenuado. 

Desta forma, os autores entendem que "alta contra conselho médico após IAM é associada com morbidade e mortalidade apreciáveis". Na opinião dos autores, os médicos devem utilizar esses dados para controlar pacientes que eventualmente manifestem vontade de abandonar a hospitalização antes do tempo ideal.



Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)



 


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