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Pesquisa avalia eficácia de galinheiros como barreiras zooprofiláticas


Foto: Agência Notisa

Resultados mostram que apesar de a média horária do total de flebotomíneos ter aumentado, a maioria foi coletada nos galinheiros construídos com a finalidade de atraí-los, diminuindo sua densidade nos demais ambientes, inclusive no domicílio.

A leishmaniose tegumentar americana tem sido notificada em todos os estados do Brasil, com 605.062 casos relatados de 1980 a 2005. Somente no estado do Paraná, foram registrados, neste período, 13.206 casos da doença, principalmente no norte e oeste, correspondendo a 98,7% do total do Sul do país. Nesse sentido, Ueslei Teodoro e equipe da Universidade Estadual de Maringá resolveram avaliar, pela segunda vez, a reorganização e limpeza do peridomicílio, a desinsetização de domicílios e de abrigos de animais domésticos e o uso de galinheiros como barreiras zooprofiláticas, como medidas para reduzir a população de flebotomíneos no Recanto Marista, além da freqüência desses insetos no domicílio.

Foram comparados os resultados de coletas de flebotomíneos de abril de 2001 a setembro de 2002 com os resultados de coletas de outubro de 1996 a setembro de 1997 e de outubro de 1998 a abril de 2000, para avaliar as medidas empregadas para diminuir a densidade destes insetos, no Recanto Marista. De acordo com artigo publicado na edição de novembro de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, "numerosos trabalhos de controle de flebotomíneos têm dado um enfoque para o uso de inseticidas químicos em paredes de casas e anexos, em ambientes silvestres e impregnados em mosquiteiros. Essas medidas apesar de atrativas não são permanentes, além do que, a precariedade das habitações, a descontinuidade e/ou o uso em épocas inapropriadas e os riscos ambientais advindos da aplicação de inseticidas em ambientes silvestres, constituem fatores limitantes para o controle de flebotomíneos. Medidas alternativas baratas, práticas e que possam ser incorporadas no dia-a-dia das populações que vivem em áreas de risco, podem, no entanto, diminuir a incidência da leishmaniose tegumentar americana".

No trabalho, os pesquisadores observaram que não houve variação do número de espécies de flebotomíneos em relação às espécies coletadas em 1996/1997 e 1998/2000, enquanto as proporções das espécies mais freqüentes sofreram pequenas variações. Eles constataram também que a média horária do total de flebotomíneos aumentou. Contudo, 85% destes insetos foram coletados nos galinheiros construídos com a finalidade de atraí-los, diminuindo a densidade dos mesmos nos demais ambientes, especialmente no domicílio. "O crescimento da população de flebotomíneos no Recanto Marista pode ter ocorrido porque as medidas propostas para diminuir a densidade de flebotomíneos, principalmente a limpeza de matéria orgânica e as desinsetizações, não foram feitas rigorosamente. Contudo, a maioria foi coletada nos galinheiros construídos para atraí-los e diminuir sua densidade nos demais ambientes, especialmente no domicílio, mostrando a importância dos galinheiros como barreiras zooprofiláticas", explicam.

Dessa forma, os especialistas afirmam que essas medidas de controle de flebotomíneos devem ser implantadas e avaliadas em outras áreas endêmicas de leishmaniose tegumentar americana. "O potencial de galinheiros e abrigos de outros animais domésticos como barreiras zooprofiláticas tem sido constatado em diversas pesquisas, pois nestes ambientes a freqüência de flebotomíneos tem sido bem elevada. Outro fato que corrobora a importância de galinheiros como barreiras zoo-profiláticas é que o flebotomíneo infectado com Leishmania pode ter a infecção eliminada quando faz um segundo repasto em galinhas", ressaltam.


Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)



 


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