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Pesquisa constata grande quantidade de fungos em granola


Foto: Agência Notisa

Resultados mostram a presença de três gêneros fúngicos, em três estações do ano. Verão e outono foram os que apresentaram maior e menor desenvolvimento micelial, respectivamente. Todas as amostras também estavam contaminadas por bactérias.


Fungos filamentosos, também conhecidos como bolores ou mofos, estão presentes em todos os ambientes e são economicamente importantes no campo da medicina, da fitopatologia e da indústria, além de ser ecologicamente importantes como decompositores. No entanto, também podem contaminar os alimentos, causando sua deterioração, reduzindo seu valor nutricional, alterando sua qualidade e tornando-se, em alguns casos, problema de saúde pública. Nesse sentido, Andréia Vecchia e Raquel de Castilhos-Fortes, ambas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, resolveram verificar a ocorrência de fungos produtores de micotoxinas em granola comercializada em Porto Alegre (RS), uma vez que este alimento vem apresentando crescente consumo e que estes fungos são encontrados freqüentemente em cereais.

Amostras de granola foram adquiridas no Mercado Público de Porto Alegre, no período de agosto de 2004 a abril de 2005, nas quatro estações do ano. A coleta baseou-se em quatro amostras de diferentes procedências, duas das quais são comercializadas embaladas e lacradas e duas comercializadas a granel. De acordo com artigo publicado na edição de abril/junho da revista Ciência e Tecnologia de Alimentos, o processo de invasão por fungos e a contaminação por micotoxinas em grãos podem ocorrer no campo e durante os processos de colheita, secagem, transporte e armazenamento do produto. O crescimento de fungos é determinado por vários fatores, entre os quais, o teor de umidade, aeração, dano provocado por insetos e ácaros, temperatura e tempo de armazenamento.

No trabalho, as autoras constataram a presença de três gêneros fúngicos, em três estações do ano. No verão houve maior desenvolvimento micelial e no outono, menor crescimento de fungos. Além disso, embora a pesquisa não tenha objetivado o estudo de bactérias na granola, cabe salientar que em 100% das amostras, foi observado crescimento bacteriano. 

Segundo elas, este aspecto pode ser preocupante, pois algumas bactérias podem causar intoxicações e infecções alimentares, representando riscos à saúde.

De acordo com as pesquisadoras, os resultados sugerem necessidade de maior controle e fiscalização, visando eliminar qualquer ocorrência de microrganismos produtores de toxinas em granola. É necessário realizar um monitoramento mais específico de tolerância de micotoxinas na granola, visto que no Brasil somente as aflatoxinas possuem limites máximos em alimentos previstos em legislação, e também uma legislação específica para contagem de fungos em granolas, já que a RDC nº 12, de 02 de janeiro de 2001 não faz referência. Os fungos produtores de toxinas podem comprometer a qualidade dos alimentos, causando sérios problemas à saúde e também podem inviabilizar os produtos, destacam.

Segundo os pesquisadores, a prevalência de cárie mais elevada em crianças da rede pública, no gênero feminino, e a tendência de o problema aumentar com a idade e diminuir com a elevação do nível de escolaridade da mãe, merecem atenção especial. "Diante da situação observada em relação aos maiores índices de cárie dentária na rede pública de ensino, provavelmente devido ao baixo grau de informação e à ausência de uma política de saúde bucal direcionada a essa população, recomenda-se que o serviço público de saúde desenvolva ações de promoção de saúde que possam beneficiar tanto a população geral como mais especificamente os escolares da rede pública de ensino. Além disso, o aumento da média de CPOD conforme a idade demonstra a necessidade do desenvolvimento de programas preventivos de saúde bucal específicos para a adolescência", destacam no artigo.



Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)



 


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