Fluoretação ainda é falha no município de Lages (SC)
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Pesquisa realizada durante um período de 12 meses revela que 45,8% das amostras de água coletadas apresentaram teores inadequados de flúor, havendo predomínio dos pontos com excesso de fluoretos (35,8%).
A fluoretação das águas de abastecimento é considerada uma das principais medidas coletivas de prevenção da cárie dentária, desde que respeitadas a continuidade e a regularidade dos teores adequados. No entanto, apesar de todas as vantagens que a fluoretação pode proporcionar, muitas são as cidades brasileiras que não dispõem desse processo ou não possuem uma política de vigilância sanitária que controle de forma satisfatória a sua execução. Isso é o que mostram Ramona Toassi e equipe da Universidade do Planalto Catarinense em um estudo que teve como objetivo vigiar, de forma periódica e sistemática, o teor de flúor adicionado à água de abastecimento público de Lages (SC).
O município foi dividido geograficamente em dez pontos e a coleta realizada de outubro de 2004 a setembro de 2005, em duplicata. Após a coleta, as amostras eram enviadas para o Laboratório de Vigilância Sanitária de Flúor da Universidade do Vale do Itajaí (SC), que realizou as análises. De acordo com artigo publicado na edição de maio/junho da revista Ciência & Saúde Coletiva, “apesar de todas as vantagens e benefícios comprovados que o flúor pode proporcionar, como qualquer outra substância farmacologicamente ativa, deve ter sua utilização controlada em termos de risco-benefício, uma vez que, enquanto a subdosagem não traz benefícios, a sobredosagem, por tempo continuado, durante o período de formação dos dentes, associa-se à ocorrência de uma anomalia de desenvolvimento que afeta a estética do esmalte dos dentes sob a forma de manchas conhecidas como fluorose dentária”.
Os especialistas constataram que, após doze meses, 45,8% das amostras de água coletadas apresentaram teores inadequados de flúor. Eles verificaram uma elevada e contínua variabilidade nos resultados. Entre os pontos que apresentaram teores inadequados de flúor, houve predomínio daqueles com excesso de fluoretos (35,8%). Eles observaram ainda que houve um significativo número de amostras com uma concentração adequada de flúor (54,2%).
Os pesquisadores observaram que, apesar do pouco tempo de monitoramento, o heterocontrole é essencial em Lages. “Uma vez que os níveis de flúor na água apresentaram elevada e contínua variabilidade, prejudicando o efeito preventivo da fluoretação no controle da cárie dentária e aumentando os riscos de fluorose, sugere-se a continuação do heterocontrole enquanto houver fluoretação das águas de abastecimento público em Lages”, ressaltam no artigo.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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