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Cerca de 10% dos freqüentadores de academias de Porto Alegre usam esteróides



Pesquisa mostra que a prevalência de uso de agentes hormonais é de 13,5%, predominando significativamente nos indivíduos do sexo masculino e naqueles que consumem mais suplementos alimentares.


O uso abusivo de esteróides, dentro e fora do cenário esportivo, é uma preocupação mundial. Isso porque é grande o número de pessoas, principalmente jovens, que ainda utiliza agentes hormonais com objetivos estéticos geralmente em academias de musculação. Isso é o que mostram Mauro Czepielewski e equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em um estudo que buscou determinar a prevalência de uso atual ou passado de esteróides, outros hormônios, medicamentos, suplementações alimentares e drogas lícitas e ilícitas em praticantes de musculação da cidade de Porto Alegre. 

As informações foram obtidas a partir de um questionário-padrão, aplicado, no período de janeiro a abril de 2004, em pessoas 288 de 13 estabelecimentos do município. De acordo com artigo publicado na edição de fevereiro de 2007 dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, “o trabalho também pretendeu caracterizar um perfil dos usuários e não usuários de agentes hormonais no que se refere à escolaridade, ao sexo, à faixa etária e objetivos de treinamento, verificando a existência ou não de diferenças entre esses grupos”. 

Os pesquisadores observaram que a prevalência de uso atual ou passado de anabolizantes foi de 11,1%, para outros hormônios 5,2%, e para outros medicamentos para a performance, de 4,2%. Os efeitos colaterais foram relatados por 30 usuários, predominando a variação de humor, a irritabilidade e a agressividade, a acne e o aumento ou diminuição da libido. A prevalência de uso de agentes hormonais foi de 13,5%, predominando significativamente nos indivíduos do sexo masculino e naqueles que consumiam mais suplementos alimentares. 

Segundo os especialistas, os dados demonstram que um número importante de freqüentadores de academias em Porto Alegre é usuário de agentes hormonais, drogas ilícitas e outras substâncias com o objetivo de aprimoramento de seu desempenho, especialmente estético. “Estas substâncias são obtidas a partir de um mercado extra-oficial sem qualquer controle legal, expondo seus usuários a graves problemas de saúde. Assim, estes achados identificam e contribuem para o entendimento de um grave problema com características potencialmente epidêmicas que demanda uma série de medidas oficiais, além de uma postura adequada nas diferentes áreas da saúde”, destacam no artigo.



Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)



 


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