Índice de edentulismo ainda é elevado entre adultos brasileiros
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Foto: Agência Notisa
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Pesquisa mostra que o problema atinge 9% das pessoas com idade entre 35 e 44 anos, sendo mais prevalente nas mulheres, residentes na zona rural, pobres, com menor escolaridade e naquelas de idade mais avançada.
O edentulismo perda total dos dentes é um dos piores agravos à saúde bucal. As perdas dentárias constituem-se em uma marca da desigualdade social, diminuem a capacidade mastigatória, dificultando e limitando o consumo de diversos alimentos, afetam a fonação e causam danos estéticos que podem originar alterações psicológicas, contribuindo para a redução da qualidade de vida das mesmas. Levando em consideração o baixo número de publicações existentes no Brasil sobre o assunto, Marco Aurélio Peres e equipe da Universidade Federal de Santa Catarina resolveram estimar a prevalência de perdas dentárias em adultos brasileiros de 35 a 44 anos, investigando associações deste agravo com condições demográficas, sócio-econômicas e com utilização de serviços odontológicos.
Foram analisados os dados de 13.431 participantes do estudo epidemiológico nacional de saúde bucal realizado em 2002-2003. De acordo com artigo publicado na edição de agosto de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, a cárie é a principal causa de perdas dentárias. Os
traumatismos dentários e as doenças periodontais também contribuem para estas perdas, porém em menor grau. Além destes agravos, a perda dentária é decorrente de atitudes dos profissionais da Odontologia e da população, da acessibilidade e utilização de serviços odontológicos, da modalidade de financiamento do sistema de saúde e da forma de prestação
de cuidados odontológicos.
A equipe observou que o edentulismo atingiu 9% da amostra e que a mediana de dentes perdidos foi igual a 11. O índice de dentes cariados, perdidos ou obturados também foi elevado (20,44). As perdas dentárias estiveram fortemente associadas com indivíduos residentes em zona rural, com as mulheres, com os mais pobres, com os de menor escolaridade e com aqueles de idade mais avançada. Usuários do serviço público e aqueles que consultaram dentista há mais tempo também apresentaram maior prevalência do agravo. Segundo os especialistas, apesar do importante declínio da cárie dentária e, conseqüentemente, de perdas dentárias dela decorrentes em crianças, registrado nas últimas duas décadas no Brasil, este fenômeno não é verificado entre os adultos. Isso é previsível, pois a população investigada neste estudo não foi exposta aos benefícios do flúor em todo o curso da vida.
De acordo com os pesquisadores, o estudo demonstra a necessidade de uma reorientação do serviço público odontológico, visando à prevenção de novas perdas dentárias na população adulta através de políticas públicas de saúde e prevenção voltadas especificamente para esta população.
Existe, ainda, a real necessidade de reabilitar os danos já instalados da maneira mais equânime possível com a implementação de serviços de próteses. Também se tornam imperativas políticas de inclusão social, visto que os brasileiros têm na boca um retrato claro das desigualdades existentes no conjunto da sociedade brasileira, ressaltam no artigo.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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