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Estudos concluem que tabagismo estaria associado à disfunção 
erétil, mas não o consumo de álcool



Os resultados são de pesquisas feitas na Austrália e Brasil.

Interessados em avaliar se há, de fato, associação entre tabagismo e 
disfunção erétil (DE), pesquisadores da Austrália avaliaram 8.367 homens 
do país com idade entre 16 e 59 anos e concluíram que quanto maior o 
número de cigarros consumidos por dia, maior a possibilidade de Disfunção Erétil. Em contraste, consumo moderado de álcool (1 a 4 drinques por dia) reduziu significativamente a possibilidade de ter disfunção erétil, afirmam 
Millett e equipe em artigo publicado em abril de 2006 na revista Tobacco Control.

A disfunção erétil é uma referência significativa de saúde que afeta cerca de um em cada 10 homens australianos com idade entre 16 e 59 anos. 
Tabagismo corrente está significativamente associado à disfunção erétil em homens australianos, afirmam os autores.

Segundo o texto, a disfunção erétil foi identificada em homens que relataram dificuldades em manter a ereção quando quisessem, um problema que persistiu por pelo menos um mês ao longo do último ano. As variáveis, examinadas em uma análise de regressão logística multivariada, incluíram idade, educação, presença de doença cardiovascular e diabetes, além de consumo corrente de álcool e tabaco.

Pelo menos 1 homem em cada 10 dos que responderam (9,1%) relataram disfunção sexual que durou pelo menos um mês ao longo do último ano. Mais de um quarto (27,2%) dos participantes eram fumantes correntes, com 20,9% fumando 20 ou menos cigarros por dia e 6,3% fumando mais de 20 cigarros por dia, afirmam Millett e colegas no texto.

Os pesquisadores apontam, ainda, que fatores como idade avançada, baixo nível de educação e tomar medicações para doença cardiovascular também estavam independente e positivamente associados à disfunção erétil. Os resultados do estudo, na opinião dos autores, mostram que os programas de promoção de saúde podem utilizar a conexão entre tabagismo e disfunção erétil para ajudar a reduzir os níveis de tabagismo entre homens.

A relação positiva entre tabagismo e DE, ao contrário do consumo de álcool, apontada no estudo australiano converge com uma pesquisa brasileira publicada em setembro de 2004, na Revista Brasileira de Medicina em que foram entrevistados 71.503 pacientes de 380 cidades diferentes, localizadas em 23 estados do país. De acordo com o artigo, atividade física e consumo de bebida alcoólica foram os hábitos de vida associados a menor prevalência de DE, enquanto tabagismo e sedentarismo estiveram associados a maior freqüência de DE. Segundo os próprios autores, no texto, este é o maior estudo epidemiológico sobre DE já realizado no Brasil e, até onde nos é dado saber, o que reuniu a maior amostra no mundo.

A prevalência de algum grau de DE encontrada na pesquisa brasileira foi de 53,5%, sendo 20,8% do total classificados como mínima, 26,3% como moderada e 6,4% como completa. A freqüência de DE moderada e completa aumentou com a idade, passando de 8,8% e 1,5%, respectivamente, em indivíduos com menos de 40 anos, para 46,7% e 26,1% entre homens com 70 anos ou mais, afirmam Edson Duarte Moreira Jr. Da Fundação Oswaldo Cruz, em Salvador, Bahia, e colegas no artigo.

Os pesquisadores chamam a atenção para a necessidade de uma maior atenção dos médicos no atendimento do paciente comum. DE é uma condição comum, acometendo aproximadamente metade dos pacientes atendidos em consultórios médicos no Brasil. Apesar disso, apenas 27% dos pacientes foram perguntados sobre possíveis problemas sexuais durante uma consulta médica. A investigação sistemática de disfunções sexuais deveria fazer parte da avaliação médica de rotina. Ao contrário do que poderia se argumentar, a maioria dos homens no Brasil concorda com essa prática e não sentiria vergonha em discutir problemas sexuais com seu médico, recomendam.

Segundo o artigo, intitulado Epidemiologia da disfunção erétil no Brasil: resultados da pesquisa nacional do Projeto Avaliar, todas as informações foram colhidas em entrevista individual e privativa, com duração de 10 a 15 minutos, em média, através de um questionário padronizado, administrado pelo respectivo médico(a) do paciente. Os fatores correlacionados com DE identificados na nossa amostra são consistentes com outros estudos prévios sobre a epidemiologia desta disfunção sexual. Futuras pesquisas deverão envolver estimativas da incidência de DE baseados em populações, a fim de testar prospectivamente as hipóteses geradas neste estudo de corte-transversal, afirmam os pesquisadores.


Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)


 

 


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