Município de Cariacica (ES) apresenta grande quantidade de dentistas não licenciados
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Foto: Agência Notisa
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A partir dos anos 70 e 80, com o crescente aumento do número de casos de hepatite B e C, o surgimento de uma quantidade cada vez maior de pessoas portadoras da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), e a confirmação da possibilidade de transmissão na prática clínica, observou-se maior preocupação com o controle de infecção no ambiente clínico, inclusive nos serviços odontológicos. No entanto, as condições higiênico-sanitárias de muitos consultórios odontológicos ainda deixam muito a desejar. Isso é o que mostram Paulo Frazão e Márcia Bortolotti da Universidade de São Paulo em um estudo realizado no município de Cariacica (ES).
O objetivo do trabalho foi descrever as condições de controle de infecção existentes em estabelecimentos de assistência odontológica do município, analisando-as segundo características demográficas do dentista e aspectos ligados à localização geográfica e ao tipo de consultório. De acordo com artigo publicado na edição de maio de 2006 dos Cadernos de Saúde Pública, “para descrever as condições sanitárias da assistência odontológica em Cariacica, foi realizado um censo no qual foi aplicado um roteiro de observação, contendo dados sobre os respondentes e aspectos de estrutura de todos os estabelecimentos odontológicos cadastrados. Além disso, foi possível identificar e visitar vinte estabelecimentos não registrados nos sistemas de referência operados por dentistas não licenciados. Foram observados 113 estabelecimentos, sendo 11 públicos (municipal, estadual e filantrópico), 82 particulares (autônomos e empresariais) e 20 operados por dentistas práticos”.
Os resultados mostram que a condição nos estabelecimentos mantidos por dentistas não licenciados foi quatro vezes pior em relação ao melhor valor observado nos estabelecimentos particulares. Em situação intermediária ficaram os serviços públicos. Dos 113 estabelecimentos visitados, poucos consultórios apresentavam as condições necessárias para aplicar as normas básicas de Vigilância Sanitária. De cada dez, apenas um mostrou condições adequadas para assegurar controle de infecção cruzada. A equipe verificou também que os serviços localizados nas regiões periféricas apresentaram condição quatro vezes pior do que os situados na região central. Além disso, havia profunda divisão nas condições sanitárias da assistência odontológica. “Uma parcela significativa da população, que depende de assistência odontológica oferecida por estabelecimentos operados por dentistas não licenciados, estava exposta a condições sanitárias de elevado risco à infecção cruzada”, afirmam os pesquisadores no artigo.
Dessa forma, os especialistas alertam para a importância de os municípios que apresentam características semelhantes a Cariacica desenvolverem ações de diagnóstico da realidade e planejarem um esforço para assistir as áreas mais periféricas e criar condições para a redução e controle dos riscos sanitários oferecidos pelos estabelecimentos operados por dentistas não licenciados. “Reproduzir a ação da profissão que leva à exclusão dos ‘dentistas práticos’ parece não ser um bom caminho para assegurar melhores níveis de proteção da população. É fundamental, também, identificar medidas que visem a criar condições para ampliar a oferta e cobertura dos serviços públicos odontológicos”, destacam no artigo.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
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