Bexiga hiperativa afeta indivíduos mais jovens
|

Foto: Agência Notisa
|
Pesquisa do Rio Grande do Sul cujos resultados foram publicados em
revista internacional ano passado mostra que, ao contrário do que as
pessoas imaginam, a doença acomete todas as faixas etárias.
Quando pensa em alterações urinárias no homem como bexiga hiperativa
(BHa) ou incontinência urinária, a imagem que vem imediatamente à mente
de um médico e da população em geral é a de um paciente idoso, o que
retarda a investigação destas patologias em faixas etárias menores.
Preocupados exatamente em descobrir qual a ocorrência da BHa em pessoas
mais jovens, pesquisadores brasileiros da Fundação Faculdade Federal de
Ciências Médicas de Porto Alegre e da PUC do Rio Grande do Sul
desenvolveram estudo com uma amostra de 848 pessoas. Os resultados estão
publicados na revista internacional European Urology de junho de 2006.
Os autores lembram no texto que em 2002 a ICS (International Continence
Society) tornou padrão a nomenclatura para as funções do trato urinário
baixo, usando como sinônimos os três termos bexiga hiperativa (BHa),
síndrome de urgência ou síndrome de urgência-frequência para a condição
caracterizada pela presença de urgência, com ou sem incontinência,
usualmente com freqüência e noctúria em pacientes sem infecção ou outras
patologias óbvias. A partir daí, estudiosos do assunto têm envidado
esforços para caracterizar melhor a patologia, já que, segundo o
texto, a importância dos sintomas de BHa não era reconhecida no passado.
Lembrando que o trabalho desenvolvido é o primeiro estudo independente
de população-base que avalia a prevalência de sintomas de BHa em homens
jovens e mulheres utilizando a nova terminologia da ICS, Claudio
Teloken e colegas lembram que também foram objetivos da pesquisa
investigar, com relação à patologia, as características gerais, o
comportamento vinculado ao tratamento, o impacto em QoL (qualidade de
vida) e os problemas sexuais. Para tal, 913 pessoas de ambos os sexos,
entre 14 e 55 anos de idade, de regiões de alta densidade demográfica de
Porto Alegre responderam a um questionário auto-aplicado que envolvia
questões do King's Health Questionnaire de validação para BHa e do
escore de sintomas da AUA (American Urological Association), já
validadas em português.
Gravidez corrente, infecção do trato urinário, diabetes melito,
incontinência urinária por estresse, uso de diuréticos, história de
câncer do sistema urinário ou ginecológico e história prévia de cirurgia
ginecológica ou do trato urinário foram critérios de exclusão, segundo
o texto. Por outro lado os pesquisadores investigaram características
gerais como sexo, idade, IMC (índice de massa corpórea), etnia, grau
educacional , história patológica pregressa e número de gestações além
dos sintomas urinários, estratégias de coping (forma de administrar o
problema), qualidade de vida e comportamento em relação à aderência ao
tratamento.
Os resultados dos 848 questionários que foram validados segundo os
critérios da pesquisa mostram que a prevalência total de BHa encontrada
foi de 18,9%. E se foi maior nas mulheres 23,2% em comparação aos
14% nos homens, foi similar em todas as faixas etárias (p = 0.152),
dizem os autores. Eles concluem o estudo pioneiro apontando que a BHa é
uma condição prevalente, mesmo na população jovem além do que é uma
importante condição de saúde, com um sério impacto na qualidade de vida
e na função sexual. E alertam: um grande percentual de indivíduos
permanece não diagnosticado, subtratado e, conseqüentemente, sofrendo
por um longo período de tempo.
Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)
|