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Notícias Unisite

06/01/2011 - 15:55:31

Influência da mídia nos comportamentos dos jovens não deve ser ignorada
Antes de classificá-la como “positiva” ou “negativa”, é importante reconhecer sua existência, diz estudo.
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA



Objetivando avaliar como adolescentes percebem a influência da mídia em relação à visão que têm de seus próprios corpos e de seu bem-estar físico, o artigo “A mídia e o corpo: o que o jovem tem a dizer?”, foi publicado em julho do ano passado na revista Ciência & Saúde Coletiva.

Na pesquisa, Maria Aparecida Conti, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Maria Natacha Bertolin, do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília, e Stela Peres, da Faculdade de Saúde Pública da USP, realizaram entrevistas com 121 adolescentes, entre 11 e 18 anos, de uma escola particular do ABC paulista. Aos estudantes, era pedido que falassem sobre o tema “a relação entre a TV e a revista e a forma como o jovem cuida do corpo”.

As autoras perceberam que havia discrepâncias nos discursos apresentados pelos jovens. Falas como “tem total influência, porque o que é bonita tá na televisão e a gente quer ser bonita, né?” mostravam a percepção de uma relação negativa, ao mesmo tempo em que alguns adolescentes afirmavam que “cada um cuida do corpo do jeito que quer” ou que “a TV pode ser um bom instrumento de informação, passa muita coisa boa, pra tentar conscientizar”, evidenciando a percepção de não haver qualquer influência, na primeira, e de esta ser qualificada como positiva, na segunda.

Mais do que tentar avaliar se a influencia é de fato negativa ou positiva, o estudo chama atenção para o fato de que a maioria dos jovens percebe que há uma relação entre a influência da mídia e a forma como se relacionam com seus corpos: “a maior frequência dos discursos identificou relação entre a mídia e o corpo do jovem (95%), em contraponto a 5% das ideias centrais que não identificaram ou identificaram muito pouco esta relação”, afirmam as autoras.

Assim, as pesquisadoras avaliam que não se pode ignorar que “os meios de comunicação contribuem inegavelmente para um aprendizado sobre modos de comportar-se, sobre modos de constituir-se a si mesmo”, especialmente para os jovens.

Reproduzindo as ideias da pesquisadora Maria da Graça Marchina Gonçalves, que em seu trabalho Concepções de adolescência veiculadas pela mídia televisa: um estudo das produções dirigidas aos jovens, de 2003, defende uma abordagem mais abrangente da questão da influência da mídia, as autoras destacam que “a TV na sociedade e na vida do jovem é um fato, sendo, portanto, necessário ser avaliada como tal, a fim de se apontar possibilidades e alternativas”. Dessa forma, é preciso que pais, educadores, pesquisadores, gestores de saúde, especialistas de mídia e outros atores da sociedade se comprometam a “conhecer mais aprofundadamente estas relações e propor medidas de intervenção que proporcionem a valorização dos aspectos positivos do uso da TV e coíba os negativos”, concluem.

O artigo na íntegra pode ser acessado em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232010000400023.

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)