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Notícias Unisite

25/10/2008 - 08:12:00

Rato d’água contribui para manter a esquistossomose no país
Não é a apenas o caramujo que hospeda e transmite o agente causador da esquistossomose mansônica.
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA



Pesquisadores da Uerj e da Fiocruz (Rio de Janeiro) afimam que o rato d’água Nectomys squamipes é um transmissor importante da esquistossomose e contribui para o aumento e manutenção da doença. Os resultados da pesquisa feita por Elaine Machado Martinez e colegas estão publicados na edição de julho/agosto de 2008 da Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.

De acordo com artigo, o rato d’água Nectomys squamipes já havia sido identificado como um importante reservatório da doença no Brasil em estados como Maranhão, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Entretanto, pesquisadores observaram que a larva do schistosoma (protozoário causador da doença) oriunda do rato apresenta características físicas (fenótipo) diferentes daquela oriunda, por exemplo, dos caramujos. Diante disso, os cientistas resolveram testar se tais diferenças fenotípicas também gerariam diferenças biológicas, por exemplo, alteração no número de ovos, quantidade de eliminação etc, o que poderia gerar diferenças na intensidade de produção da doença em seres humanos.

Os resultados da pesquisa, entretanto, mostram que as larvas provenientes dos ratos, embora diferentes do ponto de vista fenotípico, têm as mesmas características biológicas que as demais. “Foram comparadas as características biológicas de quatro cepas de S. mansoni: BE (Estado de Belém do Pará), CM (Estado de Pernambuco), CMO (Estado do Rio Grande do Norte) e SJ (Estado de São Paulo), utilizando como modelo experimental N. squamipes criados e mantidos em laboratório. A infecção foi monitorada para a determinação do período pré-patente, eliminação de ovos nas fezes, viabilidade dos ovos, contagem de ovos retidos no intestino e infectividade. Nenhuma modificação biológica foi observada nesses parâmetros”, escrevem no texto, alertando que “os resultados sugerem que o N. squamipes é susceptível a várias cepas de S. mansoni, contribuindo para a manutenção da esquistossomose no Brasil”.

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)