E-mail
Assine já!
Notícias Unisite

19/10/2011 - 08:02:36

Avaliamos para ensinar ou ensinamos para avaliar...
Éder Adriano Pereira*
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA


O processo de avaliação no âmbito educacional ainda passa por várias revisitações teóricas e reflexões que vão além do conteúdo estruturado em sala de aula, pois o conteúdo dado não significa conteúdo aprendido.

Evidenciar o aluno como uma tábua rasa é negligenciar os conhecimentos que o mesmo traz a priori em sua bagagem cognitiva de conteúdo real estruturado. Assim, a avaliação diagnóstica ou o levantamento de conhecimentos prévios devem ser os alicerces de uma mediação que potencialize o aluno em suas reais necessidades de aprendizagem. A avaliação não se justifica como um momento estanque e neutro, mas, se entendemos a educação como um processo, a mesma deve permitir que todas as singularidades façam parte desse movimento. Cipriano Luckesi, em sua obra Avaliação da aprendizagem escolar, alerta que a avaliação com função classificatória não auxilia em nada o avanço e o crescimento do aluno e do professor, pois estabelece instrumento estático e desorientador de todo o processo educativo. Segundo o autor, a avaliação com função diagnóstica, ao contrário da classificatória, constitui o momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação e do crescimento da autonomia.

Portanto, o processo de avaliação envolve muito mais que questões estabelecidas para o aluno resolver; envolve a própria tematização da prática pelo professor que reflete, revê percursos e reorienta o seu trabalho com conteúdos e práticas que sejam adequados às orientações do Currículo. A avaliação no contexto educativo, quer se dirija ao sistema em seu conjunto, quer a qualquer de seus componentes, corresponde a uma finalidade que, na maioria das vezes, implica tomar uma série de decisões relativas ao objeto avaliado.

A finalidade da avaliação é um aspecto decisivo, pois determina, em grande parte, o tipo de informações consideradas pertinentes para analisar os critérios tomados como pontos de referência e os instrumentos utilizados no cotidiano da atividade avaliativa. Nesse sentido, faz-se necessário redimensionar a prática de avaliação no contexto escolar. Então, não só o aluno, mas o professor e todos os envolvidos na prática pedagógica, podem, por meio dela, refletir sobre sua própria evolução na construção do conhecimento. O educador deve ter, consequentemente, um conhecimento mais aprofundado da realidade na qual vai atuar, para que o seu trabalho seja dinâmico, reflexivo e mediador. Assim, colabora para um sistema de avaliação mais justo, que não exclua o aluno do processo de ensino-aprendizagem, mas o inclua como um ser crítico, ativo e participante dos momentos de transformação da sociedade, lembrando-se sempre, amparados na reflexão de Mário Sérgio Cortella, ou seja, “Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo".



*Eder Adriano Pereira – Docente do curso de Letras da FAP-Tupã, membro do CEDAP-Unesp de Assis - e Coordenador Pedagógico da Rede Estadual de Ensino.

*Eder Adriano Pereira – Docente do curso de Letras da FAP-Tupã, membro do CEDAP-Unesp de Assis