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Notícias Unisite

05/03/2010 - 07:46:26

CACHORROS NO SENADO

*Roberto Musatti

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA





É de pasmar a performance do senado brasileiro. Depois de um ano onde a ética esteve em constante discussão pela sociedade brasileira, praticamente se ‘arquivaram’ as denuncias contra o presidente do senado Sarney e seus desmandos, favorecimentos totalmente incompatíveis com o cargo que ocupa.

Agora o senador Gim Argello (PTB – DF) aparece como relator e voto favorável de projeto de lei apresentado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado que pretende regular a cinofilia no país – a criação de cães.

Argello é aquele senador que no final de 2009 se vangloriava de ter conseguido amealhar seu primeiro bilhão de reais de fortuna pessoal – algo espantoso: aumento de 10.000% em 25 anos, numa cidade sem indústrias, como corretor de imóveis, dono de franquia do correio, radio, jornais no DF.

Suplente de Joaquim Roriz, envolvido até os dentes nos escândalos de Brasília, Argello é amigo de Dilma e do atual governador do DF, devidamente encarcerado por desmandos presenciados até em campeões do YouTube. Argello até agora votou mais de 600 vezes junto com o governo, conseguindo assim passe livre no Planalto a quem prometeu na posse total colaboração.

Pelo projeto entre outras sandices, esta vedada a circulação de animais considerados de raças perigosas em locais públicos... Só com uso de coleiras e focinheiras e promove-se a extinção da raça pitbull. Justifica o senador que animais treinados como de segurança e ataque acabam sendo utilizados mal treinados por pessoas despreparadas, tornando-se assim verdadeiras armas perigosas...

Partindo deste principio, já se proibiu no país o porte de armas por que podem ser usadas por pessoas despreparadas e agora são os cães. Próximos alvos dos ilustrados senadores serão provavelmente os veículos automotores e aviões – afinal mal utilizados podem até ser arma de terroristas (vide 11 de setembro e carros bomba!). O brasileiro vai ter que andar de bicicleta, viajar de navio ou trem e como opção lombo de burro...

Já a policia brasileira vai ter que utilizar poodles nos estádios, bassets (cofap) nas penitenciarias e malteses nos aeroportos como farejadores.

Ficam assim devidamente aposentados no Brasil (ao contrario do RESTO DO MUNDO) os animais das raças Pastor Alemão e Rottweiler utilizados não só pelas forças de segurança internacionais como pelas equipes de salvamento em terremotos e tsunamis. As crianças para quem a raça boxer é altamente recomendada pela empatia, paciência e doçura do relacionamento, também a partir de agora terão que se contentar com o pingüim de cerâmica sobre a geladeira...

Como seria interessante se o senado se preocupasse com os verdadeiros problemas brasileiros – a falta de médicos e remédios para a população que continua morrendo na fila do SUS (SUSto?). Ou o alto nível de impostos que inibe o crescimento, a geração de renda, salários e qualidade de vida. Ou a falta de aparelhamento dos órgãos de segurança publica que enfrentam os marginais (armados com metralhadoras .50, bazucas, granadas e fuzis automáticos) de revolveres calibre 38 em punho e coletes insuficientes, Ou a falta de qualidade do ensino brasileiro que gosta de contabilizar numero em vez de qualidade e incentivo aos profissionais da área. Ou a falta de vergonha que assola o país, demonstrada por escândalos sucessivos de corrupção, abuso de poder, falcatruas e trafego de influencia dos membros dos nossos poderes públicos – em especial do legislativo.

A quem interessava desarmar a população, deixando intacta a falta de condições dos órgãos de segurança e idem os bandidos? Os níveis de criminalidade não diminuíram uma vírgula, principal argumento das ONGs de fins e origens escusas.

Nas grandes democracias o porte de arma alem de permitido, abrange em alguns casos a permissão de levar para casa armas do exercito para aqueles ainda a serviço. Terroristas em Israel são constantemente mortos ou dominados por civis que portando armas evitam assim a morte de civis inocentes, geralmente crianças, mulheres e idosos. Mesmo assim, os índices de criminalidade na Suíça, EUA ou Israel são inferiores aos daqui, e pela Constituição Americana direito garantido a todo cidadão, a melhor forma de evitar que a democracia predomine, tirando a exclusividade das armas do poder publico – suscetível a influencias políticas, algo típico e recorrente na América Latina.

Os animais ditos perigosos por Argello e seus luminares, são agrupados e conhecidos mundialmente como K9 (em inglês a pronuncia faz um trocadilho: canine) e agem inclusive nas guerras, como farejadores de bombas, armadilhas ou esconderijos terroristas. Cada vez mais o exército americano e de Israel utilizam estes animais – Pastores Alemães - em missões que tem salvado incontáveis vidas humanas.

Quem estava presente no Haiti e agora no Chile após os terremotos junto com os equipamentos sofisticados de busca por sobreviventes? Todas as equipes contavam com o inestimável apoio de cães farejadores inclusive Pastores Alemães...

Responsabilizar os proprietários de animais de guarda por falta de controle, obediência que gere excessos e ataques indiscriminados é pratica internacional inclusive com o sacrifício sumario do animal causador de lesões a terceiros inocentes. Essas ocorrências são impensáveis para os Pastores Alemães da forças de segurança publica – daí seu apelido de ‘Policiais’ – que tem na fase inicial de seu treino, ênfase total na obediência para então sim desenvolver o ataque quando necessário, especialidade comprovada em todo o mundo, através de décadas de seleção e aprimoramento.

Sugestão aos criadores de Pastor Alemão no país do Carnaval: mudem o nome para criadores de Alsacianos (Alsatians), região da fronteira entre Alemanha e França, denominação alternativa para a raça, não incluída neste PAA (Projetos Absurdos do Argello).

Roberto Musatti - Economista (USP) Mestre em Marketing (Michigan State) Professor da REGES