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Notícias Unisite

24/09/2008 - 15:42:04

NAZISMO NUNCA MAIS

*Roberto Musatti

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA


Existe uma inegável atração até os dias de hoje por tudo que esteja relacionado com a ascensão e queda do regime nazista na Alemanha: o período conturbado de 1931 até a morte de Hitler em 1945. Foram apenas 14 anos, mas que continuam a causar fascínio e demandar explicações plausíveis, para as maiores destruições e barbáries vistas na historia humana quando novos parâmetros foram estabelecidos para crueldade e desrespeito pela vida humana numa total destruição de valores individuais como a liberdade e a democracia.

A pergunta que se sobressai das demais: como pôde o povo alemão, da cultura milenar de Goethe, Mozart, Wagner e Nietzsche, criar, apoiar e conviver com o nível mais degradante e único da historia humana – o Holocausto - a aplicação cientifica, premeditada, planejada na destruição de mais de seis milhões de seres humanos, sem objetivo de conquista – apenas por suas crenças religiosas? (que eventualmente seriam até dez vezes esse numero caso o regime nazista perdurasse por mais alguns anos). No julgamento de Nuremberg dos crimes de guerra, um psiquiatra americano tentou definir após entrevistas com os carrascos nazistas, o que lhe parecia absurdo - o pensamento por traz daqueles que executaram ou de alguma forma apoiaram esta barbárie. Definiu o Holocausto como sendo a forma máxima da maldade: a completa ausência de sentimento, de identificação com o sofrimento do próximo.

Hitler e seu regime nazista não surgiram de um momento para o outro, mas sim de uma evolução programada e lógica. Sua ascensão ao poder eventualmente total e absoluto, começou com discursos inflamados, populistas e eleições livres.

Seus partidários eram chamados de arruaceiros, fanáticos e folclóricos que dificilmente chegariam ao poder.

As eleições livres eventualmente viraram simples referendum a Hitler quando este consegue ser indicado para o cargo máximo da nação, pelo alquebrado presidente, Marechal Hindemburg: perdem gradativamente seu aspecto democrático pela atuação de Rohem - braço direito de Hitler no Partido Nazista, comandante das SA ou ‘tropa de choque’ do partido.

Inicialmente conquistam maioria no Parlamento, intimidando todos opositores – ameaçando familiares, vandalizando casas e comércios. Vão subindo os degraus de sua violência e desrespeito, conforme aumentam as impunidades e as alianças políticas – muitas agora baseadas no puro medo. De um lado os comerciantes e industriais que preferem fechar o olho para a destruição da democracia alemã desde que participem dos lucros do absolutismo. Do outro, as conivências do judiciário e das forças de segurança, que agem ligados de forma umbilical com o partido Nazista, sob a promessa de vantagens corporativas, assegurando impunidade aos desmandos das SA, legitimando um governo de força, truculencia e abuso de poder.

Ao mesmo tempo, força da propaganda do ministro Goebbels ilude a população que como gado em curral, acaba votando crente em estar participando de um evento democrático. Todos os tipos de números foram usados e bombardeados na população como sustentáculo do governo estabelecido – dos números de apoio às realizações nacionais - e todos preferiram se calar: tanto a comunidade internacional como o povo alemão que viu nas obras de Hitler, no progresso econômico um preço justo pela perda de sua democracia. Esta encenação só teve fim em meados de 45 quando tropas russas e americanas chegaram aos campos de extermínio como Bergen-Belsen.

A partir deste momento tanto a Alemanha como seu povo, foram condenados por gerações a carregar o fardo, o estigma da essência do mal, mesmo após a reconstrução do país e seu atual progresso econômico.

Hitler blefou, intimidou, ameaçou e enganou para se perpetuar no poder, mas não podemos esquecer que seu sucesso se originou no respaldo inicial do voto popular alemão que não soube dizer um basta a um processo eleitoral repleto de truculência, mentiras, intimidações e ameaças. Uns por ganância como os capitães de industria e comerciantes – de olho na divisão dos lucros das falcatruas oficiais – e outros por comodismo, restando apenas aqueles poucos que na oposição perderam tudo inclusive até suas vidas.

A democracia começa pela livre expressão do voto, da lisura do pleito eleitoral, do respeito às normas legais e morais. Qualquer deslize por menor que seja, compromete toda a liberdade do povo em escolher seu futuro e aqueles que irão tentar realizá-lo. É um processo sem meio termo ou volta.

É assim com tristeza que vemos a cartilha de Hitler sendo seguida ainda hoje em várias partes do mundo como no recente pleito em Zimbábue que culminou na renuncia do candidato da oposição depois de seguidos ataques e assassinatos a seus seguidores pelas ‘forças de segurança’ do governo de Mobuto, no poder a mais de duas décadas.

É ainda com maior tristeza e desapontamento que vemos a mesma cartilha também sendo seguida em nosso solo, de uma forma que nos atinge ainda mais diretamente: em algumas eleições municipais, inclusive de nossa região, por parte daqueles que postulam a reeleição e que, repetindo a historia, não tem escrúpulos quaisquer para atingir seu objetivo, ajudados por fiéis escudeiros que assim como Roehm e sua SA, passam por cima como um trator por toda oposição que encontram em seu caminho.

Democracia é como um vaso de cristal: lindo, atraente e eternamente brilhante desde que sempre conservado. Qualquer deslize e ele se desfaz em milhares de pedaços de pouco valor e nenhuma atração. O responsável po sua conservação é o povo e ninguém mais. O único que pode dizer alto e bom som: ditadura nunca mais!

Roberto Musatti - Economista (USP) Mestre em Marketing (Michigan State)