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03/09/2008 - 15:18:19
ELEIÇÃO NÃO É FUTEBOL*Nilton Mendonça
Como poucas coisas, o futebol, no Brasil e alguns outros países, é o alvo de uma PAIXÃO sem dimensão. O torcedor sofre e chora, agüenta zombarias e chacotas com a equipe rebaixada à assustadora “segunda divisão”, mas continua firme; de bandeira nas mãos. Nossa seleção masculina perde para a Argentina e mais uma vez o ouro olímpico se foi e continuamos “canarinhos eternamente”. A seleção feminina perde a medalha dourada para os EUA e nem por isso abandonamos “Santa Marta” e companhia limitada. O “Azulão” adormeceu por anos. Bastou voltar à ativa e torcedores de toda a região de Osvaldo Cruz lotam as arquibancadas, independente de se tratar de terceira divisão, Copa Federação Paulista ou qualquer outra competição. A Copa Regional de Futebol da Nova Alta Paulista abarrota estádios; jogadores e torcedores até trocam insultos, ameaças e agressões. Um simples campeonato varzeano, as disputas dos nossos filhos na escolinha de futebol já nos fazem soar as mãos, gritar, torcer e até ofender o coitado (ou o burro) do árbitro. O futebol é, indiscutivelmente um dos maiores objetos do povo brasileiro.
Se no culto ao chamado esporte bretão essa paixão, às vezes bestial, chega às barras do irracional e provoca o rompimento de amizades e de laços familiares sanguíneos ou não, pior ainda é o resultado da PAIXÃO quando aplicada às eleições municipais que ocorrem a cada quatro anos para a troca ou manutenção das nossas administrações municipais. Parece exagero, mas boas amizades chegam a esfriar e até acabar quando se descobre que aquela determinada pessoa é 11, 12, 13, 14, 15, 22, 23, 25, 33, 44, 45, 65 ou qualquer outro número representante de partido político nas disputas eleitorais da era da urna eletrônica. Famílias se dividem eternamente por causa do apoio a esse ou aquele candidato, candidata ou coligação. Não vai muito longe o tempo em que agressões físicas e crimes de morte e atentados bárbaros eram comuns – embora ainda hoje aconteçam em momentos mais agudos.
O referido comportamento é reprovável, desaconselhável e incompreensível por alguns motivos específicos. Primeiro que é uma terrível negação ao direito de livre escolha de cada pessoa – independente da causa, ele esse direito indiscutível e inegociável. Depois, é lamentável por colocar em risco o desenvolvimento geral de um município e a melhoria da qualidade de vida da população inteira. Quantas vezes votamos ou deixamos de votar no melhor candidato ou candidata ou ainda na melhor proposta, por razões estúpidas: por amizade, porque o fulano não me deu tal coisa (em particular), porque ele não paga uma “pinguinha” no bar do fulano, na bate às costas, por isso ou por aquilo. Votamos ou não votamos porque esse ou aquele concorrente disse isso ou aquilo sobre ele ou ela. Votamos ignorando o básico: perguntar quem é o melhor para o meu município. Quem fez e ou está fazendo ou deixando de construir.
E quando agimos assim cometemos o crime de renegar às futuras gerações – nossos filhos (as) e netos (as) – melhores condições de crescimento pessoal e coletivo. Isso explica porque tantas gerações nasceram por aqui, cresceram e desapareceram para longe, em busca de melhores oportunidades. Aí, diferente do futebol, com os nossos municípios caindo para a segunda, na terceira ou quarta “divisões” da qualidade de oferta de serviços e oportunidades, serão necessários anos e até décadas de espera pela recuperação do tempo perdido. A raiz desse histórico êxodo forçado é somente uma das conseqüências da troca do debates de idéias e projetos por confrontos de picuinhas e razões pessoais e egoístas. Nós todos, políticos, eleitores e mídia somos culpados e ao mesmo responsáveis e os únicos capazes por mudar isso. Sentir-me-ei “uma anta quadrada de rodinhas” o dia em que votar em alguém que não seja o mais apropriado (as) para administrar o meu município. Da mesma forma, exercerei o ignorante dom da imbecilidade se votar em alguém apenas ambicionando um “carguinho” de quatro anos, mas pode significar quarenta de atraso para toda a população e sucessivas gerações.
Claro que a visão do “melhor para o meu município” é subjetiva e passa por uma série e fatores particulares. Mas certamente será muito fácil chegar a ela, sem a paixão doentia que muito de nós nutrimos em relação a grupos, pessoas, legendas e interesses particulares. Eleição não é futebol. É um exercício que exige mais razão e menos paixão. Sobretudo, exige o respeito à forma diferente do pensamento do semelhante. Devemos sonhar e trabalhar a cada eleição para acabar com a histórica e distorcida idéia de que adversários tem que, obrigatoriamente ser inimigos. Na eleição, aí sim como no futebol, que vençam os melhores, mesmo que seja a Argentina.
Para terminar: grande parte da ignorância política que leva milhares de brasileiros ao “voto sem o fundamento essencial” está na desinformação. Uma população que liga a TV para assistir apenas novelas, desenhos, filmes e futebol; que liga o rádio atento apenas às músicas; e buscas apenas horóscopos, fofocas, receitas e beldades nos jornais, revista e portais informativos, tem extrema maior probabilidade de transformar o voto em uma arma apontada para a cabeça dos próprios filhos e netos e depois ainda se acha em condições de reclamar e protestar. Nossos políticos – homens e mulheres –são a imagem da sociedade, seja ela boa ou ruim.
*Nilton Correa de Mendonça, 41, é radialista, jornalista, diretor executivo da Associação dos Municípios da Nova Alta Paulista (AMNAP) e diretor do jornal ‘O Regional’ – Osvaldo Cruz (oregional@oestnet.com.br) - (14) 9778-9904
Se no culto ao chamado esporte bretão essa paixão, às vezes bestial, chega às barras do irracional e provoca o rompimento de amizades e de laços familiares sanguíneos ou não, pior ainda é o resultado da PAIXÃO quando aplicada às eleições municipais que ocorrem a cada quatro anos para a troca ou manutenção das nossas administrações municipais. Parece exagero, mas boas amizades chegam a esfriar e até acabar quando se descobre que aquela determinada pessoa é 11, 12, 13, 14, 15, 22, 23, 25, 33, 44, 45, 65 ou qualquer outro número representante de partido político nas disputas eleitorais da era da urna eletrônica. Famílias se dividem eternamente por causa do apoio a esse ou aquele candidato, candidata ou coligação. Não vai muito longe o tempo em que agressões físicas e crimes de morte e atentados bárbaros eram comuns – embora ainda hoje aconteçam em momentos mais agudos.
O referido comportamento é reprovável, desaconselhável e incompreensível por alguns motivos específicos. Primeiro que é uma terrível negação ao direito de livre escolha de cada pessoa – independente da causa, ele esse direito indiscutível e inegociável. Depois, é lamentável por colocar em risco o desenvolvimento geral de um município e a melhoria da qualidade de vida da população inteira. Quantas vezes votamos ou deixamos de votar no melhor candidato ou candidata ou ainda na melhor proposta, por razões estúpidas: por amizade, porque o fulano não me deu tal coisa (em particular), porque ele não paga uma “pinguinha” no bar do fulano, na bate às costas, por isso ou por aquilo. Votamos ou não votamos porque esse ou aquele concorrente disse isso ou aquilo sobre ele ou ela. Votamos ignorando o básico: perguntar quem é o melhor para o meu município. Quem fez e ou está fazendo ou deixando de construir.
E quando agimos assim cometemos o crime de renegar às futuras gerações – nossos filhos (as) e netos (as) – melhores condições de crescimento pessoal e coletivo. Isso explica porque tantas gerações nasceram por aqui, cresceram e desapareceram para longe, em busca de melhores oportunidades. Aí, diferente do futebol, com os nossos municípios caindo para a segunda, na terceira ou quarta “divisões” da qualidade de oferta de serviços e oportunidades, serão necessários anos e até décadas de espera pela recuperação do tempo perdido. A raiz desse histórico êxodo forçado é somente uma das conseqüências da troca do debates de idéias e projetos por confrontos de picuinhas e razões pessoais e egoístas. Nós todos, políticos, eleitores e mídia somos culpados e ao mesmo responsáveis e os únicos capazes por mudar isso. Sentir-me-ei “uma anta quadrada de rodinhas” o dia em que votar em alguém que não seja o mais apropriado (as) para administrar o meu município. Da mesma forma, exercerei o ignorante dom da imbecilidade se votar em alguém apenas ambicionando um “carguinho” de quatro anos, mas pode significar quarenta de atraso para toda a população e sucessivas gerações.
Claro que a visão do “melhor para o meu município” é subjetiva e passa por uma série e fatores particulares. Mas certamente será muito fácil chegar a ela, sem a paixão doentia que muito de nós nutrimos em relação a grupos, pessoas, legendas e interesses particulares. Eleição não é futebol. É um exercício que exige mais razão e menos paixão. Sobretudo, exige o respeito à forma diferente do pensamento do semelhante. Devemos sonhar e trabalhar a cada eleição para acabar com a histórica e distorcida idéia de que adversários tem que, obrigatoriamente ser inimigos. Na eleição, aí sim como no futebol, que vençam os melhores, mesmo que seja a Argentina.
Para terminar: grande parte da ignorância política que leva milhares de brasileiros ao “voto sem o fundamento essencial” está na desinformação. Uma população que liga a TV para assistir apenas novelas, desenhos, filmes e futebol; que liga o rádio atento apenas às músicas; e buscas apenas horóscopos, fofocas, receitas e beldades nos jornais, revista e portais informativos, tem extrema maior probabilidade de transformar o voto em uma arma apontada para a cabeça dos próprios filhos e netos e depois ainda se acha em condições de reclamar e protestar. Nossos políticos – homens e mulheres –são a imagem da sociedade, seja ela boa ou ruim.
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Nilton Correa de Mendonça, radialista, jornalista
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