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09/08/2008 - 08:13:06
ATÉ TU, TUTU*Roberto Musatti
O mundo assiste com impassividade, desmandos no jovem continente africano que já não mais passam desapercebidos com a queda das fronteiras da comunicação. Zimbábue é infelizmente o exemplo bem expressivo dos desvios antidemocráticos que trilham os caminhos que se tornaram tão populares no continente europeu após a 1ª Guerra Mundial e a Depressão Econômica de 1929 – o nazi-fascismo.
O país, localizado ao norte da África do Sul, guarda com esta um relacionamento histórico a partir de 1888 quando o explorador Sir Cecil Rhodes consegue incluir este território, sob o domínio da coroa inglesa. As semelhanças se aprofundam não apenas na colonização, mas no regime racista – o apartheid – onde uma minoria branca (ainda mais acentuada que na vizinha África do Sul: apenas 1% da população) mantém o poder e a economia do país através de 70% da terra agriculturável.
Esta minoria declara a independência do país em 1970, uma republica parlamentarista chefiada por Ian Smith, não reconhecida pelo resto do mundo a não ser pela vizinha e racista África do Sul. Seu inicial sucesso repousa no sucesso econômico do seu agronegocio, que torna o país um verdadeiro celeiro de comida no cone sul do continente africano – uma exceção num mar de países em constantes conflitos civis, como Moçambique e Angola.
Em 1979, após anos de constantes conflitos com a guerrilha, Smith e a minoria branca concordam em realizar eleições livres no país em troca de 1/3 do legislativo e garantias legais aos fazendeiros e empresários brancos. Assim, em 1980, um obscuro professor, Robert Mugabe, com vários títulos na área de educação (a maioria em universidades e cursos à distância) é eleito Primeiro Ministro.
As promessas foram mantidas por alguns anos apenas e a partir do fim da década de 80, Mugabe começa a seguir com meio século de atraso, a cartilha do Partido Nacional Socialista Alemão que resultou no regime nazista – nacionalismo exacerbado acoplado a uma reforma agrária compulsória. A expulsão da minoria branca ruralista, na maioria das vezes por meios de intimidação e violência, destruiu a economia local, transformando o país de exportador a importador de alimentos e grande receptor de ajuda internacional, temerosa de um desastre humanitário de grandes proporções.
Em 2008, assim como nas vezes anteriores, o Professor Mugabe (agora dono de várias propriedades rurais) disputou eleições ditas democráticas, utilizando todo o tipo de recursos para se manter no poder: uso extensivo da máquina pública, intimidação de todas as espécies aos opositores – em especial servidores públicos - controle econômico sobre os meios de comunicação e controle político sobre o legislativo e o judiciário.
A pobreza do país se acentua por que não atrai investimentos em projetos industriais e no turismo, antes sua segunda maior fonte de divisas, que possam gerar empregos, renda, consumo e qualidade de vida.
Apesar disto o governo gasta fortunas em propaganda política com outdoors, placas, painéis e faixas que inundam a capital Harare (antiga Salisbury) com fotos do Professor Mugabe e frases xenófobas de ataque à oposição, acusada de alinhada com interesses externos.
Nada disso entretanto, funcionou nas eleições deste ano, com a oposição liderada por Morgan Tsvangirai conseguindo sair vitoriosa. Após 30 dias de pura ‘enrolação’, os resultados foram distorcidos para que um segundo turno fosse necessário. A partir daí, os métodos pouco democráticos do Professor Mugabe, partiram da intimidação para a violência ao estilo das SA de Roehm que garantiram a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha na década de 30: Lojas quebradas, fazendas queimadas, lideres opositores e seus seguidores presos, espancados e alguns mortos.
A insensibilidade do Professor Mugabe atingiu seu pico neste ano, quando apesar da falta de remédios para a população ditadas pela escassez de reservas (especialmente para Aids: 15% da população), do desemprego e fome nas camadas de menor renda (parcialmente aliviada pela ajuda internacional), não foram motivos suficientes para que seu governo deixasse de realizar em Abril uma série de eventos comemorativos com shows pirotécnicos no chamado ‘Mês da Independência’.
Tudo isso deu ao Professor Mugabe a vitória no segundo turno das eleições em Junho, sob protestos da comunidade internacional, garantindo mais alguns anos de privilégio, inclusive econômico, a este obscuro professor e seus aliados, enquanto a população sofre uma hiperinflação (1000% ao mês) e a menor expectativa de vida (37 anos) do mundo.
E onde estavam os únicos capazes de reverter esta situação – o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki e o prêmio Nobel da Paz, bispo Desmond Tutu?
O primeiro prefere se esconder em sua antiga aliança anti-racista com o Professor Mugabe enquanto Tutu opta por viajar para o Oriente Médio para oferecer apoio ao sofrido povo palestino e chamar o governo israelense de nazistoide.
Muito se critica nos governos democráticos dos Estados Unidos, Reino Unido e Israel, mas o fato permanece que no caso dos dois primeiros, apesar de vitoriosos em 45, têm hoje como seus maiores aliados justamente os derrotados – as democracias de Japão, Itália e Alemanha. No caso de Israel, a luta pela sua sobrevivência não impede que o país seja a única democracia da região, com direitos básicos individuais garantidos inclusive à sua minoria árabe que conta até com representantes no Parlamento.
Mensagem ao Professor Mugabe: Liberdade é apenas o primeiro passo: quando o povo pode livremente se manifestar. Democracia é mais que isto: é quando o governo escuta.
O país, localizado ao norte da África do Sul, guarda com esta um relacionamento histórico a partir de 1888 quando o explorador Sir Cecil Rhodes consegue incluir este território, sob o domínio da coroa inglesa. As semelhanças se aprofundam não apenas na colonização, mas no regime racista – o apartheid – onde uma minoria branca (ainda mais acentuada que na vizinha África do Sul: apenas 1% da população) mantém o poder e a economia do país através de 70% da terra agriculturável.
Esta minoria declara a independência do país em 1970, uma republica parlamentarista chefiada por Ian Smith, não reconhecida pelo resto do mundo a não ser pela vizinha e racista África do Sul. Seu inicial sucesso repousa no sucesso econômico do seu agronegocio, que torna o país um verdadeiro celeiro de comida no cone sul do continente africano – uma exceção num mar de países em constantes conflitos civis, como Moçambique e Angola.
Em 1979, após anos de constantes conflitos com a guerrilha, Smith e a minoria branca concordam em realizar eleições livres no país em troca de 1/3 do legislativo e garantias legais aos fazendeiros e empresários brancos. Assim, em 1980, um obscuro professor, Robert Mugabe, com vários títulos na área de educação (a maioria em universidades e cursos à distância) é eleito Primeiro Ministro.
As promessas foram mantidas por alguns anos apenas e a partir do fim da década de 80, Mugabe começa a seguir com meio século de atraso, a cartilha do Partido Nacional Socialista Alemão que resultou no regime nazista – nacionalismo exacerbado acoplado a uma reforma agrária compulsória. A expulsão da minoria branca ruralista, na maioria das vezes por meios de intimidação e violência, destruiu a economia local, transformando o país de exportador a importador de alimentos e grande receptor de ajuda internacional, temerosa de um desastre humanitário de grandes proporções.
Em 2008, assim como nas vezes anteriores, o Professor Mugabe (agora dono de várias propriedades rurais) disputou eleições ditas democráticas, utilizando todo o tipo de recursos para se manter no poder: uso extensivo da máquina pública, intimidação de todas as espécies aos opositores – em especial servidores públicos - controle econômico sobre os meios de comunicação e controle político sobre o legislativo e o judiciário.
A pobreza do país se acentua por que não atrai investimentos em projetos industriais e no turismo, antes sua segunda maior fonte de divisas, que possam gerar empregos, renda, consumo e qualidade de vida.
Apesar disto o governo gasta fortunas em propaganda política com outdoors, placas, painéis e faixas que inundam a capital Harare (antiga Salisbury) com fotos do Professor Mugabe e frases xenófobas de ataque à oposição, acusada de alinhada com interesses externos.
Nada disso entretanto, funcionou nas eleições deste ano, com a oposição liderada por Morgan Tsvangirai conseguindo sair vitoriosa. Após 30 dias de pura ‘enrolação’, os resultados foram distorcidos para que um segundo turno fosse necessário. A partir daí, os métodos pouco democráticos do Professor Mugabe, partiram da intimidação para a violência ao estilo das SA de Roehm que garantiram a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha na década de 30: Lojas quebradas, fazendas queimadas, lideres opositores e seus seguidores presos, espancados e alguns mortos.
A insensibilidade do Professor Mugabe atingiu seu pico neste ano, quando apesar da falta de remédios para a população ditadas pela escassez de reservas (especialmente para Aids: 15% da população), do desemprego e fome nas camadas de menor renda (parcialmente aliviada pela ajuda internacional), não foram motivos suficientes para que seu governo deixasse de realizar em Abril uma série de eventos comemorativos com shows pirotécnicos no chamado ‘Mês da Independência’.
Tudo isso deu ao Professor Mugabe a vitória no segundo turno das eleições em Junho, sob protestos da comunidade internacional, garantindo mais alguns anos de privilégio, inclusive econômico, a este obscuro professor e seus aliados, enquanto a população sofre uma hiperinflação (1000% ao mês) e a menor expectativa de vida (37 anos) do mundo.
E onde estavam os únicos capazes de reverter esta situação – o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki e o prêmio Nobel da Paz, bispo Desmond Tutu?
O primeiro prefere se esconder em sua antiga aliança anti-racista com o Professor Mugabe enquanto Tutu opta por viajar para o Oriente Médio para oferecer apoio ao sofrido povo palestino e chamar o governo israelense de nazistoide.
Muito se critica nos governos democráticos dos Estados Unidos, Reino Unido e Israel, mas o fato permanece que no caso dos dois primeiros, apesar de vitoriosos em 45, têm hoje como seus maiores aliados justamente os derrotados – as democracias de Japão, Itália e Alemanha. No caso de Israel, a luta pela sua sobrevivência não impede que o país seja a única democracia da região, com direitos básicos individuais garantidos inclusive à sua minoria árabe que conta até com representantes no Parlamento.
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Roberto Musatti - Economista (USP) Mestre em Marketing (Michigan State)
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